Na Semana da Vida 2026, Francisco Maymone Martins, cardiologista pediatra, reconhecido em 2026 com o Prémio Vida, pelo seu trabalho em defesa da vida, partilha o seu testemunho de vida.

A propósito do Prémio Vida 2026. Um testemunho.

A vida que me tem sido dado viver, e de que me pedem que dê testemunho, não foi planeada por mim antecipadamente, muito menos para ser objecto de um prémio. Certo que a reflexão pessoal, o coração e a vontade, foram cruciais em momentos e decisões chave, como a escolha da profissão, ou o casamento com a Madalena. Deus esteve sempre presente nessas ocasiões, mas, se possível mais ainda em acontecimentos de que eu não tinha o controle, a não ser de forma parcial e que, no entanto, a moldaram em muitos aspectos de forma determinante.

Estou a pensar nos amigos, no ambiente familiar, nas convivências e na companhia que o Senhor proporcionou que nos fôssemos dando mutuamente e pela qual Lhe estou imensamente grato.

O empenhamento na proteção e na defesa da vida desde a concepção até à morte natural tem sido uma expressão desta participação em passos e circunstâncias que me foram dados e ocupa um lugar primordial nos valores que me foi permitido partilhar.

O Prémio Vida que está na origem deste testemunho é, pois, prémio a um mérito que não me pertence.

Agradeço o convívio e as longas conversas com amigos e companheiros na luta na defesa da vida que nos levaram todos a afinar e aperfeiçoar a consciência, aprofundando o entendimento do seu sentido e até, para mim, o sentido da natureza da profissão médica como serviço da vida.

Andei por muitos sítios, sempre com a Madalena e, desde que eles nasceram, com os nossos filhos. Desde o serviço como médico militar na Guiné em guerra, à especialização nas crianças com doença do coração. Desde o treino nos EUA e depois o doutoramento na Holanda, à presidência da Associação Europeia de Cardiologia Pediátrica, que ajudei a reformar. Desde as campanhas contra o aborto à criação da Ajuda de Berço, de que a Madalena veio a ser uma das dirigentes. Desde a Direcção do Serviço no Hospital de Santa Cruz, à criação e coordenação da Fundação Mater Timor responsável pela contrucção da Maternidade da Nossa Senhora de Fátima em Díli.

Sem esquecer a presidência da Associação dos Médicos católicos portugueses e a pertença a Comunhão e Libertação e às Equipas de Nossa Senhora.

Muitos acontecimentos em que me vi envolvido com grande alegria e em que nada teria o mesmo significado sem a família, os amigos e a companhia e a Presença constantes do Senhor.

Dou muitas graças a Deus por tudo isto e peço-lhe que nos continue a sustentar sempre a todos – bem como aqueles que agora me pediram estas palavras – no caminho deste bom combate.

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