O Embaixador António de Almeida-Ribeiro, Secretário-Geral do KAICIID – Centro Internacional de Diálogo, deixa-nos uma reflexão para a Semana da Vida 2026:
Em cada vida há um dom, em cada gesto há paz.

A proteção da vida é uma responsabilidade que transcende as religiões, as culturas e as tradições
filosóficas. Embora expressa em diferentes linguagens e fundamentada em diversas crenças,
existe um reconhecimento comum de que a vida humana possui uma dignidade inerente e deve
ser salvaguardada em todas as suas fases e circunstâncias.

No mundo de hoje, onde as comunidades são afetadas por conflitos, deslocamentos,
desigualdade e incerteza, esta responsabilidade partilhada torna-se ainda mais urgente. As
consequências da violência, sejam elas diretas ou estruturais, são vividas na realidade quotidiana
de famílias, crianças, nas comunidades que se esforçam por viver com segurança e esperança.

Numa perspetiva de diálogo inter-religioso, a proteção da vida está intimamente ligada à forma
como compreendemos o “outro”. Quando nos disponibilizamos para nos comunicar, para nos
encontrar, já estamos a dar uma oportunidade para que o medo seja substituído pelo
acolhimento, e quando a diferença é encarada não como uma ameaça, mas como uma fonte de
aprendizagem, começam a surgir as condições para a criação de sociedades mais pacíficas. O
diálogo não apaga as diferenças; ajuda-nos a conviver com elas de formas que afirmam a
dignidade mútua e reduzem o sofrimento.

A paz, neste sentido, não é um ideal distante irrealizável. É construída gradualmente através de
gestos de reconhecimento, solidariedade e responsabilidade. Cresce quando as comunidades e
as pessoas que as constituem, escolhem a cooperação em vez da exclusão e quando tanto as
instituições como os indivíduos se comprometem a proteger os mais vulneráveis entre nós.

O envolvimento inter-religioso lembra-nos que os compromissos éticos são frequentemente mais
fortes onde são mais partilhados. Em todas as tradições, o apelo à proteção da vida está
profundamente enraizado na imaginação moral da humanidade. É esta convergência que oferece
esperança como uma prática moldada através de escolhas diárias e da ação coletiva.

Proteger a vida é construir a paz: com paciência, de forma inclusiva e em conjunto.